Julho também é época de negócios

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Julho também é época de negócios

Muitos setores da economia ficam mais movimentados no período das férias escolares. Em função da movimentação na direção dos municípios praianos, muitos setores da economia ficam mais movimentados. (Ivan Duarte / O Liberal)

O mês de julho, período das férias escolares, é quando boa parte das famílias paraenses aproveita para sair do Estado ou visitar balneários próximos. Em função da movimentação na direção dos municípios praianos, muitos setores da economia ficam mais movimentados. Segundo o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), em todo o Brasil, a economia registra crescimento de 0,57% em julho na comparação com o mês anterior, e no Pará a situação é parecida.

Uma das áreas que recebe mais clientes nessa época é a de aluguel. Quem não tem carro e não gosta de viajar em transportes rodoviários intermunicipais por conta do desconforto sai à procura de automóveis com baixos preços para alugar durante a alta temporada. Realizado pela empresa de locação Rent Car, um estudo revelou crescimento de 13,2% dessa modalidade durante os meses de férias escolares no Brasil. Um dos motivos é que a viagem é mais econômica do que se deslocar por outros meios, como ônibus, caso a viagem seja em família.

O diretor de uma empresa localizada na avenida Duque de Caxias, em Belém, Thiago Nascimento, disse que, em julho, os serviços crescem 60% em relação aos meses normais do ano. A loja possui dois tipos de atividade: o aluguel de carros e os reparos, mas os dois recebem mais clientes durante as férias. “Existem as pessoas que não têm carro e vêm até aqui para alugar, e outros que vêm para fazer a revisão no próprio automóvel antes de pegar a estrada. Nesse último caso, nós fizemos uma campanha de verão e barateamos a revisão de férias, mas a locação foi orgânica”, explicou. 

Nascimento ainda comentou que a movimentação esperada para o mês já está sendo alcançada. Somente nas duas primeiras semanas de julho, as locações cresceram cerca de 15% em relação ao mês passado, e o resto deve ser alcançado nos dois últimos fins de semana, quando as pessoas viajam ainda mais. “Desde sexta-feira da semana passada os aluguéis aumentaram, e os últimos dias foram corridos. Novos clientes ainda devem vir até a loja no final do mês, a demanda aumenta nesse período”, contou. Quanto ao modelo de carro, o diretor ressaltou que os consumidores procuram os sedans, que têm mais espaço no porta-malas.

Outra empresa dessa modalidade, localizada na travessa Lomas Valentinas, também em Belém, deve ter alta de 20% nos aluguéis este mês. É o que diz a diretora Kelly Lameira, que garantiu que julho é o período mais procurado pelos clientes. “Notamos muito aumento nessa época de férias, todo mundo quer viajar. A busca já começa na metade de junho, porque os clientes já vêm fazer a reserva. Inclusive, neste ano fizemos mais locações que o ano passado”, comentou. Nos dois casos, toda a revisão do carro fica por conta da loja, como a vistoria de pneus, óleos e outros detalhes. Para fazer o aluguel, é necessário um calção no cartão de crédito e apresentar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e o comprovante de residência.

Além disso, o comércio também deve ficar mais movimentado. O presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas do Pará (CDL), Álvaro Cordoval, acredita que o aumento pode chegar a 7,5% nos interiores com praia e a 3,5% no Estado como um todo. Na primeira quinzena deste mês, o especialista disse que Belém ainda não sofreu queda na movimentação, mas que deve diminuir na última metade de julho. “A gente já espera uma queda nas vendas na segunda quinzena porque as pessoas saem mais da cidade no período. Já nas cidades balneárias, a tendência é aumentar”, explicou. Entre os produtos mais comprados no verão estão as roupas leves, como shorts e camisetas, as roupas de banho, como biquínis, sungas e saídas, acessórios, como óculos e bonés, além dos restaurantes, bares e hotéis, que devem receber mais visitantes.

Um dos grandes hotéis do município de Salinópolis, que recebe uma grande quantidade de turistas, deve ter o movimento triplicado em julho. Com restaurante e bar dentro do estabelecimento, as vendas podem crescer em torno de 70% em comparação aos outros meses do ano. Foi o que destacou uma das funcionárias da empresa, responsável pela parte administrativa. Segundo ela, há fins de semana em que não há vaga para hospedagem e todas ficam ocupadas. Um dos motivos é que o hotel fica localizado próximo à Praia do Atalaia.

Os vendedores ambulantes também serão beneficiados com a movimentação. Antônio da Costa, de 43 anos, vende diversos produtos ao lado da esposa, Maria, de 41 anos, desde água de coco, refrigerante e cerveja até chapéus de praia, óculos escuros e pulseiras. Durante todo o dia, o casal anda pelas praias da cidade em busca dos turistas, para tentar ganhar uma renda para o mês. “É muito bom o período de férias, nós conseguimos vender muitas coisas, principalmente as bebidas. As pessoas trazem, mas às vezes acaba e eles compram de nós”, contou Antônio. Na baixa temporada, ele faz pequenos trabalhos para manter a casa.

Família tem gasto com alimentação, hospedagem e transporte, principalmente

A administradora Rosana Santiago, de 42 anos, vai passar o terceiro fim de semana de julho em Salinópolis. Ficará hospedada em uma casa que alugou pela internet, e também precisou locar um automóvel, para não ter que ir de ônibus. Além dela, vão o filho, de 9 anos, a filha, de 16, e os pais. Para se manter na cidade durante três dias, disse que vai fazer compras em um supermercado da capital na véspera da viagem, e vai levar o que achar necessário. “Acho bom levar pão de forma, queijo e presunto para o café da manhã, além de frutas e garrafas de água. Tudo isso vamos comer dentro da casa ou levar para a praia. Já a comida do almoço e jantar vamos comer fora, até para conhecer locais novos”, disse.

Santiago disse que gastou, aproximadamente, R$ 1.300 até agora, com os dois aluguéis. Fora as compras, ainda vai gastar com gasolina e com as despesas da viagem, como alimentação. Também vai precisar comprar roupa de banho para os filhos. “É muito gasto, apesar de ainda não ter calculado. A minha filha ainda quer que eu compre o ingresso de um show que terá na cidade. Mas no final vale a pena, só pela diversão”, comentou.

Planejamento

Segundo o economista Edson Roffé Borges, a maior dica para quem vai sair de sua cidade para aproveitar as férias de julho é a preparação, seja para um local próximo ou para outros países. Por isso, é necessário que a família faça um planejamento orçamentário com tudo o que será gasto no período – alimentação, transporte, hospedagem, compras e outros – e defina um limite para ser gasto na viagem. “Se a família poupou, ela estará tranquila e saberá quanto pode gastar, por isso é importante se planejar com antecedência”, disse. O valor total da despesa dependerá do lugar de destino, a quantidade de pessoas na viagem e a duração do passeio, segundo Roffé.

A partir das anotações, o economista indica que o consumidor deve se perguntar ‘eu tenho esse dinheiro?’ e decidir o que será pago em espécie ou no cartão de crédito. Se for a segunda opção, Roffé disse que é preciso ter cuidado para não pagar juros elevados. Outra orientação do economista é verificar a abrangência do plano de saúde não exagerar. “Todo tipo de exagero é ruim para o bolso, seja nas compras e gastos ou mesmo com a saúde. Não fazer exercícios excessivos, não ficar muito no sol, tudo isso vi poupar gastos no futuro, já que a pessoa precisará cuidar de sua saúde”, orientou o especialista.

O LIBERAL . Elisa Vaz

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