Conheça em detalhes a praia mais famosa do Pará

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Na região em que os rios e praias de água doce são atração turística, Salinas é a entrada da “Amazônia Atlântica”, um mix de mangue com a beleza natural das praias oceânicas. Banhada pelas águas do Atlântico, Salinópolis, ou simplesmente Salinas, é um município do litoral paraense que possui praias de areia branca e fina que chamam a atenção por sua grandiosa extensão e paisagem paradisíaca. Distante 220 km de Belém, a cidade é um dos destinos mais procurados no verão. Diferente de outras praias, Salinas possui uma particularidade: os motoristas têm a comodidade de circular e estacionar o carro na praia, palco de diversão durante o dia e a noite.

O município de Salinópolis pertence à mesorregião Nordeste Paraense e à microrregião Salgado. É frequentada por quem procura belezas naturais e o conforto de uma localidade com infraestrutura turística. A cidade tem várias atrações, como as praias desertas na Vila de Cuiarana, o Lago da Coca-Cola, a Orla do Maçarico, a fonte de água mineral de Caranã, igarapés e dunas de areia. Recentemente, o município vive a expectativa pela descoberta de petróleo no litoral. Com população aproximada de 40 mil habitantes, a cidade recebe mais de 280 mil veranistas durante o mês de julho.

Salinópolis

“Salinas” ganhou este nome devido a fabrica de sal e a praticagem na Ilha do Atalaia (Foto: Cristino Martins/O Liberal)S“Salinas” ganhou este nome devido a fabrica de sal e a praticagem na Ilha do Atalaia (Foto: Cristino Martins/O Liberal)

Dois elementos contribuíram na fundação da cidade: A fabrica de sal e a praticagem na Ilha do Atalaia. A origem do município de Salinópolis é atribuida ao Governo do Capitão-General André Vital de Negreiros, do Maranhão e Pará que, em 1656, mandou estabelecer um posto de observação que avisasse, por meio de tiro de canhão, da entrada de embarcações estrangeiras que se dirigiam para aquele território. Este canhão existe até os dias de hoje e fica próximo a um mirante na cidade.

O nome era denominação dada ao município devido a existência de uma pequena salina, fábrica de extração de sal da água do mar, durante o período colonial. A fundação da cidade é atribuída ao prático Francisco Gonçalves Ribeiro, em 1781.

Infográfico Salinas 3 (Foto: Nathiel Moraes)

O primeiro nome dado ao município foi “Destacado”, pois ali eram destacados os primeiros práticos da barra do Pará, mas logo depois foi mudado para “Salinas”. Como existiam várias “Salinas” no estado, em 1937, um Decreto Estadual mudou novamente o nome do município para “Salinópolis”, registrado até hoje.

As festividades mais importantes do município de Salinópolis são as de São Pedro, de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro  e de São Benedito. As formas mais comuns de manifestação da cultura popular são os pássaros juninos, o carimbó, os bois-bumbás, o xote e o siriá.  A produção artesanal do município é constiuída por objetos de pesca como canoas, remos e também objetos oriundos do aproveitamento da casca da ostra e da sucata marinha.

“O turismo é muito forte no período no verão e do final do ano, mas a principal atividade durante o resto do ano é a pesca. Para turistas, tem pacotes vendidos por operadoras de turismo, mas a grande maioria dos veranistas que vão para salinas alugam um carro para chegar”, explica o Secretário de Turismo de Salinas, Raul Kós.

Praias
A Ilha do Atalaia é uma das mais conhecidas pelas suas praias. A praia de Atalaia é a mais movimentada de Salinas, conta com hotéis de primeira classe de frente para a praia, bares e restaurantes para todos os gostos. Dependendo da época do ano, as ondas do mar chegam a 2 metros de altura, sendo aproveitadas para o surf. A praia é o ponto de encontro dos visitantes.

  • Banhistas se refrescam no lago da Coca-Cola (Foto: Henrique Felício/O Liberal)
    Banhistas se refrescam no lago da Coca-Cola.
    (Foto: Henrique Felício/O Liberal)

No local, os pessoas podem ainda se aventurar nas dunas de areia branca com vegetação típica do litoral e conhecer o lago da Coca-Cola, que se forma entre as dunas. O lago de água doce e escura é geralmente utilizado pelos visitantes para tirar o sal do mar e se refrescar depois de caminhar nas dunas sob o sol forte.

Vizinha ao Atalaia está o Farol Velho, onde os visitantes podem encontrar a mesma beleza da praia, só que com mais tranquilidade. No local, ficam localizadas as mansões de veranistas que visitam com frequência o município.

Nas praias do Atalaia e do Farol Velho, que juntas somam 20 quilômetros de extensão, os visitantes entram com os carros na areia. Cada um pode estacionar onde quiser, os próprios motoristas organizam o trânsito. A única preocupação é com a maré, que sobe muito rápido e ocupa toda a areia, obrigado os carros a deixarem a praia.

A praia do Farol Velho é uma das mais visitadas, lá ficam as mansões. (Foto: Oswaldo Forte/Amazônia Hoje)A praia do Farol Velho é uma das mais visitadas, lá ficam as mansões.(Foto: Oswaldo Forte/Amazônia Jornal)

Na praia do Maçarico não é permitida a entrada de carros. O lugar leva o nome por causa dos seus primeiros frequentadores, os pássaros da espécie. É um dos pontos mais frequentados durante a noite por causa da orla, que reserva um pouco da cultura regional, além de um complexo de bares e restaurantes. Na orla do Maçarico os visitantes encontram um calçadão ornamentado, utilizado pelos visitantes para a prática de esportes e caminhadas. Em julho, o local é palco para a realização de shows e atividades de verão.

A praia das Corvinas fica localizada no final da orla do Maçarico e leva o nome do peixe típico da região. Existe uma ponte que dá acesso à praia. Chegando lá, mais um espetáculo da natureza: o encontro das águas dos rios Urindeua e Maramuipy. Para a administradora Vera Arruda, a praia é a “antessala do paraíso”: “Sempre que estou em Salinas vou a praia da Corvina para correr de manhã cedo. Tem um clima gostoso, um silêncio, a gente respira ar puro. É uma das praias mais bonitas do Brasil, costumo dizer que é a antessala do paraíso”, afirma Vera.

Quem prefere um lugar mais isolado, a vila de pescadores de Cuiarana é o indicado. Lá os visitantes podem encontrar as praias do Cruzeiro e do Amor. A praia pouco movimentada chega a ficar deserta em algumas épocas do ano. Nas altas temporadas, barracas de vendas de frutos do mar e bebidas abrem para oferecer maior conforto aos visitantes. A paisagem encontrada em Cuiarana é exuberante.

Mais tranquilidade ainda pode ser encontrada na praia Maria Baixinha, acessível através de barco a partir da vila de Cuiarana. No local podem ser vista vegetação virgem, mar aberto e sem ondas.

Veraneio

Pela manhã a praia é das crianças (Foto: Cristino Martins/O Liberal)Pela manhã a praia é das crianças.
(Foto: Cristino Martins/O Liberal)

O “Sal”, como também é chamada Salinas, é destino certo de muitos paraenses no verão. O clima quente atrai gente bonita para as praias, que ficam lotadas em julho. As praias do Atalaia e Farol Velho chegam a receber cerca de 50 mil veículos por dia quando a maré está baixa e a faixa de areia é maior. O número de veranistas que chegam no município é três vezes maior que o número de habitantes da cidade.

Durante a manhã, as praias são ocupadas por famílias, que aproveitam o sol para brincar na areia com as crianças e tomar banho de mar ou nos laguinhos que se formam quando a maré baixa. Nas barracas da praia, o visitante pode se deliciar com um “toc-toc” (caranguejo), peixes regionais ou camarões. Outra iguaria que o visitante pode experimentar na praia são as ostras, consideradas afrodisíacas, elas são servidas com limão e sal.

Salinas é point da turma jovem (Foto: Christian Emanoel/ Nathiel Moraes)Salinas é point da turma jovem e badalada de Belém.
(Foto: Christian Emanoel/ Arte: Nathiel Moraes)

No início da tarde, a turma jovem começa a chegar e as areias da praia viram passarelas. Repazes e moças desfilam seu bronzeado e a última moda praia. No Atalaia, todas as tribos se encontram para aproveitar o sol, o mar, o luar e a música que vem dos carros. É comum os jovens ficarem na praia até o anoitece em baladas realizadas na própria areia. Embora seja uma grande festa, cada grupo se encontra e fica a vontade a realizar para sua comemoração particular.

A advogada Emyle Carriço, de 25 anos, não perde um verão em Salinas. “Vou para Salinas desde que era criança, ficava na casa da minha mãe. Mas desde os 18 anos vou com as minhas amigas, chego na praia por volta das 14h30 e só saio quando o dia amanhece. A noite entro na barraca ou fico no carro conversando com os amigos”, conta a advogada. Ela diz ainda que não há beleza que se compare as praias de Salinas. “A praia do Atalaia é minha favorita. Conheço várias praias no Brasil, mas nada igual a Salinas”, afirma Emyle.

Amor de verão
O cenário encantador e o clima de verão em Salinas é propício para a paquera. Mas o local

Camila e João iniciaram o romance em Salinas (Foto: Arquivo pessoal)Camila e João iniciaram o romance em Salinópolis.
(Foto: Arquivo pessoal)

também é lugar para começar um romance duradouro. A praia do Atalaia é especial para  o casal Camila Imbiriba, de 26 anos, e João Paulo Soares, de 28, pois foi nas areias da praia que tudo começou entre eles, no dia 8 de julho de 2009.

A estudante e o publicitário se conheceram em junho, em Belém, e marcaram de se reencontrar no primeiro final de semana das férias de julho em Salinas. O casal se encontrou logo no primeiro dia e, inspirados pelo luar, “ficaram” pela primeira vez na praia, até o dia amanhecer. “Quando a gente voltou (para a capital) já estávamos namorando. No início não botava fé, achava que era só coisa de momento, mas estamos juntos até hoje”, conta Camila.

Para o casal, não há lugar mais romântico que Salinas. Em um dos aniversários de namoro, eles se hospedaram em um hotel no município para relembrar o momento que marcou as suas vidas.

Infográfico Salinas2 (Foto: Nathiel Moraes)

Badalação
A diversão que antes era apenas da areia da praia, passou a ser organizada e comercializada nos últimos anos. Empresas realizadoras de eventos investem nas casas de show, trazendo bandas e cantores que fazem sucesso em todo o Brasil para tocar na noite de Salinas.

Em 2012 acontece mais um “Festival de Verão Salinas”, considerado o maior evento do verão paraense. A arena montada na praia do Atalaia para a realização da festa tem capacidade para receber mais de 5 mil pessoas a cada noite.

A arena do festival conta com um grande palco onde as bandas se apresentam. O espaço conta ainda com uma estrutura que inclui praça de alimentação, bares, banheiros, posto médico e ainda serviços exclusivos de camarote e área vip. É uma grande festa, comparada com as melhores e maiores realizadas na capital.

Neste verão, grandes nomes já passaram pelo palco, que segue até o final do mês com atrações de peso. No dia 21 (sábado), se apresentam as bandas Sorriso Maroto, Juliano & Cristiano e Jeito Inocente. Já no dia 27 é a vez da banda Tropa de Choque subir ao palco. Até o final de julho cantam em salinas as bandas Biquíni Cavadão, Thiago Costa e Vaguinho DB.

Competições
Além da badalação nas praias, Salinas recebe tradicionais competições esportivas, que movimentam a cidade durante o verão, são elas: o “Rallye do Sol” e a “Corrida do Sal”. Em 2012, ambas as competições estão marcadas o sábado, 21 de julho.

O Rallye do Sol proporciona adrenalina à flor da pele aos seus participantes. É a maior competição automobilística do Pará, realizada há 17 anos pela Federação Paraense de Automobilismo e pela Federação Paraense de Motociclismo. O evento reúne pilotos veteranos, novos talentos do esporte radical e pessoas das mais variadas profissões, que aproveitam o verão e saem em buscam diversão e aventura.

O Rallye tem saída de Belém, percorre trilhas de 400 km, passa por 40 cidades paraenses até chegar ao seu destino, a cidade do verão: Salinas.

Já na Corrida do Sal, os competidores saem do trevo do Atalaia e percorrem aproximadamente 9 km pela orla da cidade. Atletas amadores e profissionais participam da corrida, monitorada eletronicamente através de chips acoplados no tênis dos corredores. Além do trajeto, os atletas superam o calor do verão, as subidas das ruas de Salinas e o vento forte do litoral.

Turismo
Salinas é destaque no litoral paraense, possui uma das praias mais belas do mundo e parece ter um acordo com o sol, que brilha quase 365 dias por ano nas praias. Acolhe visitantes que procuram diversão, descanso, aventura ou romance, em uma cidade estruturada para o turismo. Quem oconhece Salinas, sempre dá um jeito de voltar, é como se a cidade e toda a sua rotina existisse fora do estado, do país, do mundo, na “antessala do paraíso”.

Grafico Salinas (Foto: Nathiel Moraes)
Fonte: G1 (g1.globo.com)

2 COMENTÁRIOS

    • Mas o bom é poder entrar com o carro. São 20km de praia meu amigo, a pé não dá. O que é ruim não são os carros, são as pessoas que deixam os lixos na praia.

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