Vice-diretor é acusado de humilhar garoto que foi de chinelo à escola no DF

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Vice-diretor é acusado de humilhar garoto que foi de chinelo à escola no DF o

Vice-diretor é acusado de humilhar garoto que foi de chinelo à escola no DF  oA Polícia Civil do Distrito Federal está investigando o vice-diretor do Centro de Ensino Fundamental do Arapoanga, região administrativa que fica a 49,6 km do centro de Brasília, por maus-tratos contra um aluno de 13 anos.

Um vídeo que circula pelas redes sociais mostra o garoto P. A. descalço durante uma aula e de cabeça baixa. Segundo o Conselho Tutelar de Planaltina, o menino havia sido punido por Jordenes Ferreira da Silva por ter ido à escola usando chinelos. O vice-diretor foi levado à 31ª Delegacia de Polícia, que fica em Planaltina, e liberado logo em seguida.

O Conselho Tutelar informou à Polícia Civil que recebeu as imagens do garoto via WhatsApp na tarde de segunda-feira (05). Na mensagem, testemunhas afirmavam que o vice-diretor teria obrigado o aluno a tirar os chinelos e depois o encaminhado à sala de aula descalço. A cena teria motivado os colegas a rirem do garoto.

Mais tarde, por volta das 15h30, uma equipe chegou à instituição e constatou que o aluno continuava na sala de aula com a cabeça sobre a carteira, chorando, ainda com os pés descalços.

Na delegacia, o vice-diretor afirmou que é “normal” ter problemas de disciplina em todas as escolas, principalmente em áreas carentes, e alegou que a represália foi porque o garoto chutava uma bola de papel e fita crepe aleatoriamente, promovendo uma “algazarra e instigando” os demais alunos.

No boletim de ocorrência, Jordenes Ferreira declarou que nenhum aluno é impedido ou repreendido no âmbito da instituição com relação ao uso de sandálias ou similares. Também garantiu que o aluno foi abordado em virtude da indisciplina, e não pela ausência ou tipo de calçado. Procurado pelo UOL, ele não quis se pronunciar.

Menino vai sair do colégio

A mãe do garoto, Floracir, de 38 anos, afirmou que o menino vai ser retirado do colégio, onde estuda há dois anos. Segundo a dona de casa, o sentimento é de raiva, tristeza e indignação.

“Eu não tive coragem de ver o vídeo. Não precisavam ter feito isso com meu filho, já que eu e a escola tínhamos uma convivência muito boa. Se ele não obedeceu, por que não me ligou? Fiquei sabendo do ocorrido quando uma equipe de conselheiros tutelares bateram aqui em casa. Eu já o queria tirar da escola, por ser integral, agora faço questão. Não quero esperar outros episódios”, explica.

Segundo a mulher, o menino tem costume de ir de chinelos e tênis ao colégio e nunca havia tido problema com a direção. Nesta terça-feira (06), ele preferiu ficar em casa e não foi à escola. “Ele está bem, não está mais com vergonha. Mas ele estava cansado emocionalmente, né? Optei por ele descansar hoje.”

O garoto, que está no 7º ano do Ensino Fundamental, estuda no período integral. A mãe conta que espera um retorno do colégio para explicações. Porém, até o momento, ninguém ainda se manifestou.

Em nota, a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Câmara Legislativa disse que repudia a conduta do diretor. “Onde se escondeu a sensibilidade desse profissional da educação que submete à humilhação uma criança diante dos seus colegas pelo fato de ser pobre? De ir à escola de sandálias? Até onde nos levará essa espiral insensata de preconceito de classe?.”

Já a Secretaria de Educação informou que a Corregedoria de Educação tomou conhecimento da situação e vai apurar os fatos. Caso o vice-diretor do Centro de Ensino Fundamental Arapoanga tenha se excedido, vai responder a Processo Administrativo Disciplinar (PAD).

Jéssica Nascimento
Colaboração para o UOL, em Brasília

 

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