A PRAIA DO ATALAIA AGONIZA

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A praia da Atalaia, em Salinópolis , que é o atrativo para o turismo do Município, vive atualmente, momentos preocupantes. Paulatinamente vemos a degradação ambiental, no local, pela sua ma ocupação.

A massa do leito arenoso vai esvaindo-se, tendo o nível original descido, em média, mais de quatro metros de altura, obrigando os proprietários dos restaurantes de apoio à praia, procederem às emendas em seus esteios de sustentação, pelo menos quatro vezes, num período de dois anos.

Quando aos restaurantes de apoio à praia encontram-se muito elevados, em relação ao nível da praia, obrigam o seus deslocamento no sentido das dunas, tendo já ocorrido o referido deslocamento, aproximadamente 150,00 metros.

A inexistência da proteção natural, o mangue, faz com que o mar avance vorazmente por baixo das barracas, como se fosse um veemente reclamo da natureza pela insensatez do homem. – A vegetação natural de proteção à praia fora eliminada para dar lugar aos restaurantes.

O manguezal pertence ao mar. É o elemento de equilíbrio entre o litoral ( parte não molhada), o mar e a areia da praia. Com a inexistência do manguezal, se faz necessário um elemento artificial de proteção com as funções dos manguezais. Ou seja, construção de um paramar que impeça o avanço do mar na direção da parte seca, litoral, ou por sobre as dunas. Esse é o maior risco que paira para a praia da Atalaia. O mar está litoral adentro. Quem retira do mar, o mar tira de volta.

Sobre a camada do leito de areia deparamos com alguns tipos de materiais geológicos, dos quais visualizamos a pedra, pedra em formação e a conhecida argila.

O fato do rebaixamento do nível superior do lençol de areia está acentuado e já notamos a presença, mais constante, das camadas de pedra, pedra em formação e argila no farol Velho e camadas de argila em frente aos restaurantes de apoio a praia, mais precisamente próximo ao restaurante Galeão.

Outro fato preocupante é que a areia da praia não mais seca, mesmo no verão. Está sempre molhada dando sinal de que o nível superior do leito da praia confunde com o nível do lençol freático. Esse fato preocupa porque esse lençol freático está mais vulnerável a contaminação. Não há elemento filtrante entre a área exposta para o uso da praia e o lençol freático. Não há mais areia entre esse dois elementos.

Do lado do Farol velho, em frente às mansões, a construção de paramares sem obediência a um alinhamento pré-definido, pela gestão municipal, ocorre o fenômeno de um turbilhamento na água provocado pelo deslizar do fluxo das águas das marés cheias, de forma descontinuo. Isso se dá pelo fato dos ditos paramares encontrarem-se, contiguamente, construídos com projetos diferentes, locados, uns com maior recuo, outros mais expostos ao mar.

Esse turbilhamento provoca a escavação dos pés desse paramares, retirando areias dessa área, levando-as a se armazenarem na praia propriamente dita Farol Velho, após as residências do Condomínio Farol Velho, onde o litoral muda de direção, aproximadamente 90 graus. Esse trecho a exposição de pedras são freqüentes. As areias migradas da praia da Atalaia para o Farol Velho, por sua vez migram para o Maçarico, prejudicando consideravelmente esta praia e até mesmo eliminando pequenos canais de acesso dos pescadores, no período de marés baixas, baixa-mar.

É mister que se forme um comissão de alto nível, de formação nesse assunto, para elaborar um projeto de ocupação da praia, levanto em conta principalmente o leito de areia da praia, bem como quais as formas de recuperação dessa degradação.

O elemento principal da ocupação da praia é a própria praia. Ou seja, é o leito de areia da praia. Sem o leito de areia da praia não justifica a existência de outros elementos tais como os restaurantes de apoio à praia, bereiros, ambulantes, banhistas, veranistas, turistas, etc. O mangue é o elemento de equilíbrio.

“À praia devemos fazer todas as considerações necessárias de proteção”

O homem não deve visar à necessidade mercantil como prioridade em detrimento a praia. A praia da Atalaia é o chamamento turístico do Município de Salinópolis. Ninguém vem a Salinas que não seja pela praia do Atalaia.

Devemos tomar todos os cuidados técnicos oriundos de profissionais competentes e experientes em assunto ambiental, para a preservação dessa maravilha que nos brinda com suas paisagens encantadoras e nos faz sentir orgulho como propriedade nossa, dos salinopolitano. Profissionais acostumados com o trato de projeto de orlas marítimas, de forma sustentável, para não termos que amargarmos saudades de uma praia que outrora tenha sido inveja a muitos balneários costeiros de iguais características.

 

Sugerimos obediência nas seguintes prioridades para desenvolvimento do projeto da orla da Atalaia:

 

1. Manutenção da praia como o astro principal.
2. A preservação das dunas como coadjuvante de primeira linha de uma película “Ocupação sustentável da praia da Atalaia”.
3. Os restaurantes de apoio a praia, ou melhor, o aparelho de apoio à praia, representaria como coadjuvante de segunda linha, para receber a platéia que há de assistir e usufruir o maior espetáculo da terra.

 

Osmar Ranieri – CREA 2297 D – Engenheiro Civil

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