Batedores de açaí lançam cooperativa em Belém.

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Batedores de açaí lançam cooperativa em Belém (Foto: Divulgação)

Manipuladores de açaí se organizam e lançam a Cooperativa Pérola Negra (Foto: Divulgação)

Após enfrentar um período conturbado com o surto da doença de Chagas no Pará, cerca de 60 batedores de açaí da Região Metropolitana de Belém se organizam e lançam a Cooperativa Pérola Negra.

Só neste ano, houve mais de 20 casos suspeitos da doença registrados pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) e aproximadamente dez vítimas fatais em todo o estado. O objetivo da cooperativa é melhorar a qualidade do produto comercializado, já que a forma de contágio mais comum da doença de Chagas é o consumo de alimentos contaminados, e o açaí seria um dos principais responsáveis pelo caso.

A Cooperativa é oriunda do Instituto de Desenvolvimento Socioeconômico e Educacional Açaí – Instituto Açaí, existente no mercado paraense há 17 anos. A qualificação e também certificação da categoria, que hoje sofre com as dificuldades para aprovar financiamentos, será mais facilitada com a formação da Cooperativa. Segundo o presidente da Instituição, Arnaldo Silva, até o último sábado (26), quando aconteceu o lançamento da cooperativa, os trabalhadores contavam apenas com associações, que no entanto, não atuavam de forma direcionada para a sistematização de todo o processo de produção. “Muitos batedores precisam se atualizar com o mercado. A venda de açaí em supermercados, por exemplo, prejudicou a concorrência com o batedor, principalmente porque eles não aceitam outros tipos de pagamento, como dinheiro, cartões, tíquetes de alimentação”, ressalta Arnaldo.

Este seria apenas um dos pontos para a necessidade da criação da Cooperativa. A falta de políticas públicas efetivas para a categoria, como um trabalho específico com o lixo produzido pelos batedores, também era uma dos grandes entraves. “Com a cooperativa vamos trabalhar além de cursos de cooperativismo e associativismo, mas também a educação ambiental e inclusão digital destes trabalhadores”, explica.

Resgate da identidade do Açaí no Pará

Como parte inicial dos projetos da Pérola Negra, serão realizados cadastras socioeconômicos dos batedores de açaí para levantar informações acerca da realidade destes trabalhadores. A partir de então novos projetos serão elaborados, visando atender as necessidades da categoria.  O segundo projeto, já aprovado por órgãos financiadores atuará na melhoria da qualidade do açaí dos manipuladores artesanais. A idéia é montar uma rede de lojas de açaí padronizada na RMB com produtos derivados do açaí, como bolos, energéticos, entre outros. “Nós estamos perdendo a identidade do nosso fruto. Hoje, o maior exportador de produtos do açaí é o Ceará e não o Pará”, afirma Arnaldo Silva.

Para Bruna Almeida, presidente da cooperativa e batedora de açaí há quatro anos, este é um grande passo para o aumento de renda de toda a cadeia produtiva do açaí, como também uma possibilidade de melhorar o acesso dos trabalhadores. “Hoje eu ainda não tenho o aparelho de branqueamento, porque é muito caro, mas trabalho fazendo os processos de lavagem. A cooperativa vai me ajudar a melhorar como pessoa, me possibilitando os cursos de capacitação; e como empresária, me dando melhor acesso aos equipamentos necessários”, conta.

Segundo Ezequiel Mello, diretor do Instituto Açaí, a cooperativa é um instrumento onde o batedor tem vez e tem voz. “Com a cooperativa nós vamos trabalhar em toda a cadeia produtiva. Nós vamos produzir o nosso próprio adubo orgânico, trabalhar a qualidade das sementes do fruto, temos dentro do projeto a prática da piscicultura para fazermos a associação da venda do peixe com o açaí dentro das nossas redes de loja”. A expectativa é que até o final do primeiro semestre do próximo ano a cooperativa esteja funcionando com mais de 60 lojas na RMB e conte com quatro mil integrantes.

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