Entenda o que é o AVC que o técnico do Vasco, Ricardo Gomes, sofreu

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Após o acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico sofrido pelo técnico do Vasco, Ricardo Gomes, a Academia Brasileira de Neurologia emitiu um comunicado explicando o que é esse tipo de AVC, suas causas, sintomas e tratamentos.

Atualmente, o AVC é uma das maiores causas de internação e morte em todo o país. Somente de janeiro a junho, deste ano, o SUS registrou 84.068 internações para tratamento de acidente vascular cerebral hemorrágico e isquêmico.

Entenda o AVC

O acidente vascular cerebral é consequência da alteração do fluxo de sangue no cérebro, causando a morte de células nervosas da região cerebral atingida.  O AVC pode se originar de uma obstrução de vasos sanguíneos, o chamado acidente vascular isquêmico, ou de uma ruptura do vaso, conhecido por acidente vascular hemorrágico.

acidente vascular cerebral isquêmico – ou infarto cerebral – representa 80% dos casos de AVC e é causado pelo entupimento dos vasos cerebrais que pode ocorrer devido a uma trombose (formação de placas numa artéria principal do cérebro) ou embolia (quando um trombo ou uma placa de gordura originária de outra parte do corpo se solta e pela rede sanguínea chega aos vasos cerebrais).

Os ataques isquêmicos podem ser permanentes ou transitórios – com obstruções temporárias do sangue a uma determinada área do cérebro. Geralmente, originada do acúmulo de plaquetas agregadas em placas nas paredes dos vasos ou formação de coágulos no coração. Os sinais e sintomas desse ataque são os mesmos do AVC, contudo tem duração de poucos minutos e deve servir de alerta para que o paciente procure assistência médica imediatamente, pois nesses casos o risco de um AVC é iminente.

O AVC sofrido pelo técnico do Vasco foi o acidente vascular cerebral hemorrágico, mais raro que o isquêmico, nesse tipo de AVC o rompimento dos vasos sanguíneos se dá na maioria das vezes no interior do cérebro, a denominada hemorragia intracerebral. Como consequência imediata, há o aumento da pressão intracraniana, que pode causar uma dificuldade para a chegada de sangue em outras áreas não afetadas e agravar a lesão. Esse subtipo de AVC é mais grave e tem altos índices de mortalidade. Outro subtipo do AVC hemorrágico é o que se localiza entre o cérebro e a uma das membranas da meninge (membrana aracnoide), chamado subaracnoide.

Sintomas

Muitos sintomas são comuns aos acidentes vasculares isquêmicos e hemorrágicos, como:

•    Dor de cabeça muito forte, de instalação súbita, sobretudo se acompanhada de vômitos.

•    Fraqueza ou dormência na face, nos braços ou nas pernas, geralmente afetado um dos lados do corpo;

•    Paralisia (dificuldade ou incapacidade de movimentação);

•    Perda súbita da fala ou dificuldade para se comunicar e compreender o que se diz;

•    Perda da visão ou dificuldade para enxergar com um ou ambos os olhos.

Outros sintomas do acidente vascular isquêmico são tontura, perda de equilíbrio ou de coordenação. Os ataques isquêmicos podem manifestar-se também com alterações na memória e da capacidade de planejar as atividades diárias, bem como a negligência. Neste caso, o paciente ignora objetos colocados no lado afetado, tendendo a desviar a atenção visual e auditiva para o lado normal, em detrimento do afetado.

O acidente vascular hemorrágico intracerebral pode causar – dependendo da extensão e da localização da lesão no cérebro – náuseas, vômito, convulsões, confusão mental e, até mesmo, perda de consciência.

O acidente vascular hemorrágico subaracnoide, por sua vez, é acompanhado de sonolência, alterações nos batimentos cardíacos e frequência respiratória, cefaleia extremamente forte, rigidez de nuca, e eventualmente convulsões.

Primeiros socorros

Quanto mais cedo o paciente for atendido maiores são as chances de sobrevivência. Um importante avanço no tratamento do acidente vascular cerebral isquêmico foi o desenvolvimento de novas terapias capazes de dissolver o coágulo, como os trombolíticos, e restaurar o fluxo sanguíneo para o cérebro. Alguns tratamentos funcionam melhor se administrados até três horas após o início dos sintomas.

O tratamento da hemorragia cerebral, como foi o caso do Ricardo Gomes, também é mais eficiente quando o paciente tem atendimento nas primeiras horas. Todo paciente com sintomas de AVC deve ser encaminhado ao hospital o mais rapidamente possível, para receber tratamento apropriado. Os procedimentos diagnósticos realizados no hospital são fundamentais para diferenciar o Acidente Vascular Cerebral de outras doenças igualmente graves e com sintomas semelhantes.

Fatores de risco

A maioria dos fatores de risco para AVC podem ser tratados para a prevenção. Entre os fatores de risco que podem ser tratados modificados destacam-se:

•    Hipertensão;
•    Diabetes descontrolado;
•    Tabagismo;
•    Consumo abusivo de freqüente de bebidas alcoólicas álcool
•    Consumo de drogas ilícitas;
•    Estresse;
•    Distúrbio das gorduras (dislipdemias) como, por exemplo, o colesterol elevado;
•    Doenças cardiovasculares cardíacas, sobretudo as que produzem arritmias;
•    Sedentarismo;
•    Doenças hematológicas.

Existem, contudo, fatores que podem facilitar o desencadeamento de um acidente vascular cerebral e que são inerentes à vida humana, como o envelhecimento. Pessoas com mais de 55 anos possuem maior propensão a desenvolver o AVC. Características genéticas, como pertencer a raça negra, e história familiar de doenças cardiovasculares também aumentam a chance de AVC. Esses indivíduos, portanto, devem ter mais atenção e fazer avaliações médicas mais frequentes.

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